The real estate market in Brazil has been suffering the consequences of the retraction in the economy, which began in mid-2014 and has been increasing until 2016, and it ́s still without a positive forecast.
In the period of the high growth of this market, the percentage of mortgage loans over the Brazilian GDP expanded exponentially and the apparent real estate valuation launched a possible opportunity for investors, promoting this way, an even greater demand for residential real estate.

The advance of the crisis in the economy, however, triggering the rising unemployment, lead quickly to a contraction of credit in the Real Estate market and, consequently, the reduction of this great time of purchase of real estate by the population. One of the consequences of this scenario is the growing number of contract rescissions, a fact that has worsened recently.

The contract rescission or termination, which is a contractual tool for those who decide to dispose of a unit, have always existed, but the exception became a current market practice recently.
This unforeseen stock added to the repressed demand is promoting a major imbalance of market prices, which may cause serious problems for many companies in the sector.

The purpose of this article is to present a view on the contract rescissions carried out in the residential real estate market in São Paulo, within a micro-region situated in the west of the city. The aim is to present an opinion, taken out from a selected sample, who is the principal agent of this movement, if they are real buyers seeking their own housing or investors and what the causes and effects of these terminations

To this end, in addition to the surveyed literature, we conducted a case study, which here is characterized by a field survey, which aimed to get a reference of information for this research. This was carried out through interviews with some leaders of companies operating in the sector, with a set of questions that made it possible to obtain information consistently.

Through the analysis of the above, it was concluded that the data collected coincide in general with those presented by recently published researches regarding this topic, that is, there is a rise in the number of contract rescissions or termination in the last three years. In the case of the studied sample, however, it was found that most of the contract dissolutions were driven by investors, which in general realized that they would not have the expected return, and opted for cash instead of acquisition that had been planned. The article also exposes possible causes and effects of this matter, and concluded that there may be ways to reverse some situations, if there is flexibility and long negotiations. As this is a very actual and relevant subject, this paper aims to promote research and broaden the debate, since there are still many aspects to be evolved for an advanced manipulation of the subject matter.

O mercado imobiliário no Brasil vem sofrendo as consequências da retração da economia, iniciada em meados de 2014 e que se acentua de forma contundente em 2016, sem ainda uma previsão de mudança. No período de alto crescimento deste mercado, a participação do crédito imobiliário no PIB brasileiro expandiu de forma exponencial e a aparente valorização imobiliária lança aos investidores uma possível oportunidade de altas em seus retornos, desta forma promovendo uma demanda ainda maior por imóveis. O avanço da crise na economia, no entanto, deflagrando a alta do desemprego leva rapidamente à redução do crédito imobiliário e consequentemente à redução deste grande momento de compra de imóveis.

Uma das sequelas deste cenário é o crescimento do número de distratos, fato que vem se agravando recentemente.
Os distratos, que são uma ferramenta contratual para aqueles que decidem se desfazer de uma unidade, sempre existiram, porém de exceção passaram a ser prática atual no mercado.

Como consequência, este estoque imprevisto de imóveis somado à demanda reprimida está promovendo um grande desequilíbrio de preços no mercado, o que poderá provocar problemas graves de liquidez para muitas empresas do setor.
O objetivo deste artigo é apresentar um parecer em relação à atual situação dos distratos realizados no mercado de imóveis residenciais da cidade de São Paulo, dentro de uma microrregião da zona oeste e um estrato de mercado pré-estabelecido. Busca-se apresentar um parecer sobre quem é o principal agente deste movimento, se são de fatos compradores que buscavam sua moradia própria ou investidores e quais as causas e os efeitos deste movimento.

Para este fim, além da pesquisa bibliográfica, foi realizado um Estudo de Caso, que aqui se caracteriza por um Levantamento de Campo, o qual produziu um referencial de informações para este estudo. Este foi realizado por meio de entrevistas com quatro dirigentes de empresas atuantes no setor e uma imobiliária de grande porte, as quais possuem empreendimentos dentro da região selecionada. As entrevistas foram conduzidas através de um roteiro de perguntas que possibilitaram a obtenção das informações de forma consistente.

Através da análise do que foi exposto, pôde-se concluir que os dados coletados coincidem com aqueles apresentados por pesquisas publicadas recentemente em relação a este tema, isto é, que há uma alta no número de distratos nos últimos três anos e incide em praticamente todos os empreendimentos. No caso da amostra pesquisada, porém, ressalta-se que a maioria dos distratos foi iniciada por investidores. Eles, de uma forma geral, perceberam que além do descolamento entre sua receita e falta de crédito e as dívidas assumidas, não teriam a rentabilidade esperada, e por simples falta de confiança no mercado, optaram pela liquidez ao invés de imobilizar o seu capital de investimento.

O artigo expõe também possíveis efeitos e desdobramentos do tema em questão, assim como ressalta que pode haver formas de reverter algumas situações, caso haja flexibilidade e densa negociação entre compradores e incorporadores. Sendo o assunto bastante atual e relevante, o presente trabalho pretende promover a pesquisa e ampliar o debate, uma vez que há ainda muito estoque a ser consumido e o cenário macroeconômico ainda não se mostra favorável ao crescimento.