The real estate sector has been gaining relevance in the Brazilian economic and financial scenario. This importance has grown as home financing has increased its participation in the balance sheet of financial institutions. The permanent monitoring of these assets is a crucial process, as it is for all other financial assets, as the soundness of these institutions depends on the valuation of those assets. The growing importance of real estate assets, particularly residential real estate, adds a new dimension to the economic cycle, introducing an additional possibility for the generation of crisis: declining home values, and its impact on the financial system. The universally adopted method to monitor the valuation of these assets are the price indices of residential property, although the ways to do it are as varied as there are indices in the world. The construction of a real estate price index is much more difficult than a consumer price index, as prices only materialize when buying and selling a property, an infrequent event, aggravated by the uniqueness of each property transacted. In addition to this widely recognized difficulty, the interpretation of the results of those indices, as well as the drawing of adequate responses in the form of economic and monetary policies, are no simple matter. The BIS-Bank for International Settlements, in association with the IMF, held a conference in 2003 to investigate the construction and use of such indices, with a special attention for the difficulties in their interpretation and the formulation of corresponding economic and monetary policies. So much so, that even with all the focus and labor reflected in the papers presented in 2003, virtually nothing came about as measures against the crisis of 2008, which was originated by the exacerbation of the real estate cycle in the mature economies. The time series of two Brazilian indices series are compared and hypothesis are drawn in order to understand the discrepancies arising from that comparison, based on the material prepared by BIS / IMF.

O setor de real estate vem ganhando relevância no cenário econômico e financeiro brasileiro. Essa relevância tem crescido à medida que os financiamentos habitacionais têm aumentado sua participação nos balanços das instituições financeiras. O monitoramento permanente desses ativos passa a ganhar importância, a exemplo de todos os ativos do sistema financeiro, à medida que a higidez dessas instituições depende, de forma crescente, desses ativos. O crescimento da importância dos ativos imobiliários, em especial dos imóveis residenciais, acrescenta uma nova dimensão ao ciclo econômico, introduzindo uma possiblidade adicional para a geração de crises: a desvalorização dos imóveis, e sua repercussão sobre o sistema financeiro. A forma universalmente adotada para acompanhamento da evolução desses ativos são os índices de preços dos imóveis residenciais, ainda que as maneiras de fazê-lo sejam tantas quantos índices existem pelo mundo. A construção de um índice de preços de imóveis é tarefa muito mais difícil do que de um índice de preços ao consumidor, já que os preços só se materializam no momento da compra e venda de um imóvel, evento pouco frequente, agravado pela singularidade de cada imóvel transacionado. A essa já amplamente reconhecida dificuldade, soma-se a de utilização dessa medição para a elaboração das políticas econômica e monetária. O BIS-Bank for International Settlements, em associação com o FMI, promoveu uma conferência em 2003 para discutir a respeito da construção e utilização desse tipo de índice, com destaque para as dificuldades na sua interpretação e na elaboração de políticas econômicas e monetárias correspondentes. Tanto essa dificuldade é real, que mesmo com todo o empenho daquelas instituições, em 2003, praticamente nada resultou para enfrentar a crise econômica de 2008, originada do exacerbamento do ciclo imobiliário nos países de economia madura. As séries temporais de dois índices brasileiros são comparadas, e são lançadas hipóteses para as divergências surgidas dessa comparação, com base no material elaborado pelo BIS/FMI.