The transformations in the world economy and the sequence of crises associated with them, replaced the cycle concept in the center of the economic debate. In this new context, the housing market plays a role of growing importance. The narrowing of its association with financial capital in a framework characterized by reduction of regulatory mechanisms, has led to changes in the way they act affecting the production and consumption of urban space, and the economy in general.

The production property in Natal (Brazil) in the last thirty years has been growing and reflecting the different moments of the national economy. There is a significant synchrony between macroeconomic phenomena and decision-making of property developers. In the 2000s we highlight two specific moments: (i) production of second homes and flats, linked to the strong growth in the flow of foreign tourists and, (ii) entry of large national players - especially those with publicly traded. The international financial crisis separates those two moments which together represent the biggest real estate boom in the city.

From documentary research was carried out the census of intakes recorded in Natal during the 2000s. 380 projects were registered by adding 32,000 housing units and 4,000,000 square meters of built area. The data show a production six times higher than those recorded in previous decades, strengthening the idea that macroeconomic changes and improvement of the regulatory framework are critical to the expansion of mortgage credit and hence to the significant growth in production.

This article aims to extend understanding of the real estate production as a reflection of changes in the funding system and the expansion of the mortgage, assuming that the abundance and diversity of credit financing systems impacting on housing production and its spatial distribution, sharpening problems relating to infrastructure and urban fragmentation.

As transformações na economia mundial e a sequência de crises a elas associadas, recolocaram o conceito de ciclo no centro do debate econômico. Nesse novo contexto, o mercado imobiliário exerce papel com importância crescente. O estreitamento de sua associação com o capital financeiro, em um quadro marcado pela redução dos mecanismos reguladores, vem provocando alterações na sua forma de atuar afetando a produção e o consumo do espaço urbano, além da economia de uma maneira geral.

A produção imobiliária em Natal (Brasil) nos últimos trinta anos vem crescendo e refletindo os diferentes momentos da economia nacional. Ocorre uma significativa sincronia entre os fenômenos macroeconômicos e a tomada de decisão dos promotores imobiliários. Na década de 2000 destacam-se dois momentos específicos: (i) produção de flats e segundas residências, vinculada ao forte crescimento do fluxo de turistas estrangeiros e, (ii) ingresso dos grandes players nacionais – especialmente aqueles com capital aberto. A crise financeira internacional separa esses dois momentos que, somados, representam o maior boom imobiliário do município.

A partir de uma pesquisa documental realizou-se o censo das incorporações registradas em Natal durante a década de 2000. 380 empreendimentos foram cadastrados somando 32.000 unidades habitacionais e 4.000.000 de m2 de área construída. Os dados mostram uma produção seis vezes maior do que as registradas nas décadas anteriores, fortalecendo a ideia de que as mudanças macroeconômicas e o aperfeiçoamento do marco regulatório foram decisivos para a ampliação do crédito imobiliário e, consequentemente, para o expressivo crescimento da produção.

Esse artigo pretende ampliar a compreensão acerca da produção imobiliária como um reflexo das mudanças no sistema de financiamento e na ampliação do crédito imobiliário, supondo que a abundância de crédito e a diversidade dos sistemas de financiamento repercutem na produção habitacional e na sua distribuição espacial, acirrando problemas relativos à infraestrutura e fragmentação urbana.